Insetos

Pulava e se agitava. Chorava, se atirava ao chão. A viatura passava lentamente pela multidão, que atirava pedras e vegetais podres no veículo.  O capacete do guarda deslizava por sua cabeça e a alça do mesmo se prendia em seus lábios rachados.

Não pode ser.

Assassino.

Psicopata, doente.

Como pode.

O oficial se esticava, estendia os braços na horizontal, tentando conter o máximo possível da grande multidão que se formava pela calçada.

Monstro.

As pessoas não entendem.

Eu os mato? Viro seus amigos?

Eu os como?

Eu me junto a eles?

Será que me aceitariam? Eu e minha sujeira.

Ela escapa pelos braços do policial. Bate, soca o vidro, um martelo de distância da minha cabeça moribunda.

Filho da puta.

Filho do diabo, inseto.

Bata, amor. Bata no vidro. Chore, chore. Chore me um rio marrom, um rio de ferro.

Ela não voltara, o barco já partiu.

Um barco de madeira.

Vazio.

Uma grande caixa flutuando, como borboletas nas manhãs de sábado, em um rio marrom de ferro. Bang bang.

Com um martelo você é um ferreiro. Um criador. Um demolidor. Um deus.

Com um martelo se esmaga os insetos.

Então chore, bebe. Chore, esvazie seus olhos. Olhos vazios, numa cabeça vazia.

Ha.

Todos sabem para onde vou. Para longe. Livre. Não existem provas. Sou o melhor dedetizador do mundo. Um mundo vazio cheio de insetos. Tenho insetos na minha pele.

Eu os como?
Crus ou bem passados?

Eu os engano?

Eu deixei isto acontecer novamente. Eles decidem meu futuro. Eu decido suas vidas.

Então chore, bebe. Chore, esvazie seus olhos.

Em cabeça vazia, não há ovos de inseto.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s