Déjà Vu

Meus olhos queimam. Os mesmos olhos que se esqueceram das cores vivas do verão, dos tons de cinza e azul do inverno chuvoso na costa leste. Os mesmos olhos que viram o lindo sorriso da moça da livraria, a sujeira na pele do mendigo da 6ª avenida. Os mesmos que viram a porta se fechando. Olhos que viram tudo mesmo tempo, mas nunca enxergaram nada.
Ao meu redor tenho antiquados e conservadores – “opressores”- como sempre pensei. Mas são apenas coitados dos quais eu não mereço, coitados bons demais para mim. Por isso te escolhi, meu bem. Teus demônios são os mesmos que me assombram a noite. Os mesmos que me tiram o fôlego ao pensar sobre mim mesmo. O mesmo beep na cabeça, a mesma perseguição.
Mas estes demônios me impedem de resistir a você, e pelo que vejo também te impedem de se importar com um verme como eu. Eu te entendo. Entendo sua insensibilidade, seus mecanismos avançados de… Proteção?
Não me suportas, entendo. Mas de fato suportas o mongoloide que te persegue como um fantasma em carne, osso e estupidez.
Agora eu me contento com o passado, quando seu conteúdo não havia sido corrompido pela doença da terra em que pisamos, porém, quando não te olhava com os olhos de hoje. Os mesmos olhos que se esqueceram das cores vivas do verão.
Meus olhos queimam.
Eu quero a minha mãe.

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